CAPÍTULO 4 – IGNORÂNCIA MATA!

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          A hora da troca de óleo se aproximava, perto dos cinco mil quilômetros, ainda estava claro e no nível regulamentar, acima do mínimo. Naquele domingo no Velopark, não se comportou bem, engasgava, parecia que estava com alguma falha elétrica e, voltando para Porto Alegre, começou a fazer uns barulhos estranhos no motor. Voltou para casa de plataforma e, desmontada na oficina do João, o diagnóstico: um colo de biela roído por falta de óleo. Mas como falta de óleo? Que absurdo! Sim, falta de óleo. A 2300, ao contrário de todos os carros que já tive, não pode andar com o nível acima do mínimo, tem que estar sempre no máximo. Seu cárter é muito largo e um litro faz pouca diferença na altura. Com essa configuração, fica difícil enxergar a variação de nível na vareta. Como estava acima do mínimo, indicava a falta de mais de três litros no sistema. Bem, mas, vamos à luta…

          Eu não precisava de mais uma bronca na agenda, mas estava determinado trazê-la de volta à vida. Cursando o último semestre de Direito e trabalhando doze horas por dia em função das eleições, as horas-extras viabilizavam a obra. Viva a democracia!

          Comecei varrendo o mundo à procura de uma junta de cabeçote, eis que a fama das disponíveis no mercado nacional pouco as recomendava. Não me interessei em comprar duas mil e quinhentas unidades por alguns milhares de dólares, eu só queria uma para fechar o motor e voltar a acelerar. Achei no Mercado Livre uma artesanal, feita de amianto e revestida de folha de cobre, bem carinha, por sinal.

          O serviço no virabrequim ia  ladeira abaixo, com a melhor receita para dar tudo errado: foi contratado um artífice para encher de solda e outro para retificar. O soldador empenou o eixo e o torneiro queria tirar a diferença no torno. O João já não queria mais instalar os pistões cabeçudos – de alta compressão – temendo que os erros acumulados enfraquecessem a peça. Pára tudo!

          Nota do autor: desculpem por  não ter avisado sobre as cenas chocantes. Imagino que pessoas mais sensíveis possam ter passado mal.

             Continua  amanhã…

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